POR LA CARRETERA


Pedro desenhando as paredes das ruínas...



Escrito por PEDRO E NANÁ às 03h47
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Essa é uma das ruínas da regiao das misiones, ruína de San Ignacio. ¡Estupendas!



Escrito por PEDRO E NANÁ às 03h45
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Pedroca sendo engolido pelas cataratas.



Escrito por PEDRO E NANÁ às 03h40
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Hoje as CATARATAS. Inacreditável!!! mega. Descomunal. O ser humano não é nada perto disso. A lenda indígena conta que um casal fugia pelo rio pois a garota era prometida para o filho de Tupa, que criou as cataratas para impedir a fuga. Realmente... intransponível.



Escrito por PEDRO E NANÁ às 21h33
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Estivemos em Itaipú e no Paraguai hoje. Itaipu é considerada 7 maravilha do mundo moderno (pelo menos para a engenharia) - 25% da nossa eletricidade e 95% da do Paraguai. 30 anos atrás não havia energia naquele país!!!



Escrito por PEDRO E NANÁ às 22h04
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CARO PEDRO E NANÁ,, RESOLVI ESCREVER NESTE DIA QUE VCS JÁ ESTÃO A SONHAR EM LA CARRETERA , POR QUE NÃO PAREI DE PENSAR O QUÃO SIGNIFICATIVO SERÁ ESTA JORNADA... QUANDO DEI OS DIARIOS AO PE, ERA PORQUE ESPERAVA DEMAIS POR VER NELES,  OS DESENHOS FUTUROS.... E É COM O MESMO CARINHO QUE ESPERO QUE ESTAS PALAVRAS LHES INSPIREM , LHES ACOMPANHE ...

Discurso do Subcomandante Marcos em Juchitán, Oaxaca, 31 de março de 2001.

  A tarde já vai pestanejando sob a pressão da noite. As sombras se desprendem da grande ceiba, a árvore mãe, a que sustenta o mundo, e vão procurar um lugar qualquer para encostar seus mistérios. Com a tarde, março também vai se apagando, mas não é este que nos surpreende caminhando com muitos. Falo de outra tarde, num outro tempo, numa outra terra, a nossa. O velho Antonio voltou da capina do milharal e sentou à porta da sua choça. Lá dentro, Dona Juanita preparava as tortilhas e as palavras. E, como sempre, foi passando-as ao velho Antonio; colocando algumas e tirando outras, enquanto fumava o seu cigarro enrolado com a maquininha, o velho Antonio contava por entre os dentes

 A história da busca

            “Nossos sábios mais antigos contam que os primeiros deuses, os que deram origem ao mundo, fizeram nascer quase todas as coisas, mas não fizeram nascer todas elas porque sabiam que fazer nascer uma boa quantidade delas era tarefa dos homens e das mulheres. É por isso que os deuses que fizeram nascer o mundo, os primeiros, foram embora quando o mundo ainda não havia sido acabado. Não deixaram as coisas pela metade porque eram folgados, e sim porque sabiam que cabe a alguns começar, mas terminar é trabalho de todos. Os mais antigos entre os nossos mais velhos contam também que os primeiros deuses, os que deram origem ao mundo, tinham uma bolsa onde iam guardando as pendências que iam deixando no seu trabalho. Não para dar conta delas em seguida, e sim para lembrar o que estava pra vir quando os homens e as mulheres fossem terminar o mundo que nascia incompleto.

            Os deuses que deram origem ao mundo, os primeiros, já estavam indo embora. Iam embora como a tarde. Como que se apagando, como que se cobrindo de sombras, como que ficando ausentes ainda que estivessem aí. Então, o coelho, aborrecido com os deuses que não o haviam feito grande, apesar de ter cumprido com as tarefas das quais estavam incumbidos (macacos, tigre, lagarto), foi roer a bolsa dos deuses sem que estes percebessem porque já estava um pouco escuro. O coelho queria rasgar toda a bolsa, mas fez barulho e os deuses perceberam e foram atrás dele para castigá-lo pelo delito que havia cometido. O coelho fugiu rapidamente. É por isso que os coelhos comem como se fossem culpados por algum delito e fogem rapidamente quando vêem alguém. Acontece que, mesmo não chegando a rasgar toda a bolsa dos primeiros deuses, o coelho conseguiu fazer um buraco nela. Então, quando os deuses que deram origem ao mundo foram embora, do buraco da bolsa foram caindo todas as pendências que havia nela. Os deuses das origens sequer se deram conta disso e foi aí que veio uma que se chama vento e começou a soprar e a soprar e as coisas que haviam ficado pendentes foram para um lado e pra outro e, como era de noite, ninguém percebeu onde foram parar estas pendências que eram as coisas que deviam nascer para que o mundo fosse completo.

 



Escrito por PEDRO E NANÁ às 00h16
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            Quando os deuses se deram conta da desordem houve muita confusão, ficaram muito tristes e dizem que alguns até choraram, é por isso que dizem que quando vai chover o céu faz antes muito barulho e, logo em seguida, vem a água. Os homens e as mulheres de milho ouviram a chiadeira porque, quando os deuses choram, dá pra ouvir de longe. Então, os homens e as mulheres de milho foram ver porque os primeiros deuses, os que deram origem ao mundo, estavam chorando; e, entre os soluços, os deuses contaram logo o que havia acontecido.

            E, então, os homens e as mulheres de milho disseram “Parem de chorar, nós vamos procurar as coisas pendentes que perderam porque já sabemos que há coisas pendentes e que o mundo não estará completo até que tudo tenha sido feito e ajeitado”. E os homens e as mulheres de milho continuaram dizendo: “perguntamos a vocês, que são os primeiros deuses, os que eram origem ao mundo, se é que lembram um pouco das pendências que perderam para que nós saibamos se o que vamos encontrando é uma das coisas que está pendente ou é algo novo que já está nascendo”.

            Os primeiros deuses não responderam logo porque a sua chiadeira não os deixava sequer falar. Mais tarde, enquanto limpavam seus olhos para secar suas lágrimas, disseram: “cada coisa que venha a ser encontrada é uma coisa que ficou pendente”.

            É por isso que os nossos mais antigos dizem que, quando nascemos, nascemos perdidos e que, conforme vamos crescendo, vamos procurando nós mesmos, e que viver é procurar e procurar a nós mesmos.

            E já em voz mais alta, os primeiros deuses, os que deram origem ao mundo, continuaram dizendo: “todas as coisas que estão pendentes, que estão pra nascer no mundo, têm a ver com isso que lhes dizemos, com que cada um se encontre. Dessa forma, saberão se o que encontram é uma pendência que ainda está pra vir ao mundo, se ela ajudar vocês a se encontrarem com vocês mesmos”.

            “Está bem”, disseram os homens e as mulheres verdadeiros, e se puseram logo a procurar por toda parte as coisas pendentes que haviam de vir ao mundo e que os ajudariam a se encontrar.

            O velho Antonio acaba as tortilhas, o cigarro e as palavras. Fica um tempo olhando para um canto da noite. Depois de alguns minutos diz: “Desde então, estamos procurando e procurando nós mesmos. Procuramos quando trabalhamos, quando descansamos, quando comemos e quando dormimos, quando amamos e quando sonhamos. Quando estamos vivos, procuramos procurando nós mesmos, e quando estamos mortos procurando nós mesmos procuramos. Procuramos para encontrar nós mesmos, vivemos e morremos para encontrar nós mesmos”.

-          E como é que alguém pode fazer para encontrar-se consigo mesmo?, perguntei 



Escrito por PEDRO E NANÁ às 00h07
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O velho Antônio ficou me olhando e, enquanto acabava de enrolar outro cigarro, me disse: “Um antigo sábio zapoteco me disse como. Vou te dizer isso em espanhol porque só aqueles que já se encontraram consigo mesmos podem falar bem a língua zapoteca que é a flor da palavra, e a minha palavra é só uma semente, há outras que são talo, folhas e frutos e estas encontra quem é completo. Diz o pai zapoteco: “Primeiro andarás por todos os caminhos de todos os povos da terra, antes de se encontrar com você mesmo”. (“Niru zazalu’guiráxixe neza guidxilayú ti ganda guidxelu’lii”).

Anotei o que o velho Antônio me disse naquela tarde em que o mês de março e o dia se apagavam. Desde então, andei por muitos caminhos, mas não por todos, e ainda procuro o rosto que seja semente, talo, folha, flor e fruto da palavra. Com todos e em todos me procuro para ser completo.

Na noite de cima uma luz sorri, como se si encontrasse na sombra de baixo. Março vai embora. Mas chega a esperança.

                                                                                                                                                       Anita

 

 



Escrito por PEDRO E NANÁ às 00h05
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Escrito por PEDRO E NANÁ às 16h01
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